| Depoimentos
"Beto, o homem dos mil instrumentos, da voz emocionada e de melodias ricas de som e ritmo. Esse é um cara em quem aposto e acredito desde que conheci. Faz parte de uma turma radicada em Minas, que canta como vive: trocando idéias, participando uns dos trabalhos dos outros; mas individualmente, cada um com seu próprio segredo. Cada novo trabalho traz surpresas e sempre me deixa emocionado. Aliás, também a todas as pessoas que sabem ouvir (o que também é um Dom). Tô com ele e não abro. Menos na arte de pilotar um Ultra-leve juntos, porque eu posso ser doido, mas não tanto. Força Beto. Sai da toca e mostra pro mundo. Todos nós precisamos. Beijos - Compadre Nascima"
Milton Nascimento
O MINEIRO BETO GUEDES "? Ai, Viramundo de minha vida, que vira Minas pelo avesso, sem revelar aos meus olhos o seu mais impenetrável mistério! Ai, Minas de minha alma, alma do meu orgulho, orgulho de minha loucura, acendei uma luz no meu espírito, iluminai os desvãos de meu entendimento e mostrai-me onde se esconde esse mineiro maravilhoso, esse meu irmão desvairado que no fundo vem a ser a melhor razão existir". Assim implorei a Geraldo Viramundo, personagem do romance "O Grande Mentecapto", que me dissesse o que vem a ser mineiro. Pergunte a um deles para ver só: - Se sou mineiro? Uai, é conforme...(Toda resposta é conforme: sabe-se lá por que estão perguntando?) Para ser mineiro, basta ter nascido em Minas? O que é Minas, afinal? O próprio poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade confessou num poema:
"Ninguém sabe Minas Sendo assim, quem disse que sou mineiro, afinal? Só por ter nascido na capital de Minas? Neste caso o sol também é, já que nasce todo dia em tão belo horizonte. Pois basta ouvir Beto Guedes, para ver como ele é mineiro, e quanto! Dos melhores que Minas já produziu. É ouvi-lo, e concluir que ele transportou para as suas admiráveis criações musicais o que a nossa eterna Minas Gerais tem de melhor. Rio, junho de 2.004 / Fernando Sabino
"Beto sempre foi pra mim, além de amigo e companheiro, um exemplo de integridade musical no panorama da música brasileira. Um dos músicos mais intuitivos que conheço, antes de tudo, um criador nato."
Flávio Venturini
Beto é o que há de bom gosto na música brasileira. Wagner Tiso
"Sou super tiete de Beto. Dele já gravei "Luz e Mistério." Acho um cara fantástico e super autêntico. É um artista que consegue estar sempre fazendo algo interessante e bonito. Tem uma integridade artística que me emociona. Zizi Possi
"O canto forte do aboio correndo os campos abertos nas tardes incendiadas de Montes Claros, o sussurro do vento acariciando o capim braquiara dos pastos, melodia prá moça bonita debruçada na janela esperando o fim da tarde. Yara Tupynambá
"O Beto é desses caras que já nasceram prá música. Seu pai, o grande Godofredo deixou pro filho toda uma influência de música mineira (modinhas, valsas, etc.) Toninho Horta
DEPOIMENTOS DE ALGUNS ARTISTAS QUE PARTICIPARAM DO DISCO "DIAS DE PAZ"
"Acho que o Beto tem uma das vozes mais bonitas que conheço. Nem mesmo ele sabe disso. E suas interpretações balançam o meu coração e os de muita gente. Desde que gravamos juntos "Nada será como antes", no Clube da Esquina, que senti o quanto nossas vozes se combinaram.
Compôr para ele é sempre um grande prazer. É só ouvir "Tristèsse", que fiz com Telo Borges e "Asas" (de Beto e Márcio Borges), em que juntamos nossas emoções, para sentir isso.
Parabéns, Beto, pelo novo CD. Felicidades e que dividamos muitos sons pela vida afora.
Um Beijão do eterno amigo,"
Bituca.
Milton Nascimento
"Beto tinha me convidado inicialmente para cantar "Pedras Rolando", mas depois acabei ficando com "Sal da Terra", que é uma das que eu mais gosto do repertório, é especial.
Participar deste disco foi muito prazeroso porque tem a ver com a minha vida. Participo da vida do Beto muitos anos, somos amigos de longa data. Começamos juntos. Meus encontros com ele são uma confirmação do tanto que a gente se admira.
Beto é um cara brasileiro. Estou muito feliz e toda vez que ele me chamar, vou com ele pra onde ele quiser.
Amo esta música. Para mim, é uma das canções mais lindas que ele já compôs."
Lô Borges
"O convite foi a maior surpresa para mim. Adoro o Beto, sou fã dele há muito tempo, desde o Clube da Esquina. Depois, me tornei fã dos discos dele. Sei cantar quase todas as músicas. Adorei quando ele me chamou para fazer este dueto.
Essa música do Milton Nascimento, "Tristèsse", é um presente, um talismã. A letra é linda e foi uma das coisas que mais me chamou atenção. "Tristèsse" é triste, mas muito boa de cantar, é viajante no sentido da melancolia.
Adorei cantar com o Beto, fiquei procurando um timbre que combinasse com o dele, que é um pouco feminino, mais agudo do que o normal, é o timbre que sempre gostei de ouvir. Acho que ficou ótimo."
Paula Toller
"Este é um momento muito importante na minha vida. O que me encantou em "Pedras Rolando" foi a letra. Estar aqui neste disco me remete a uma época da minha vida, quando tinha 14 ou 15 anos e ouvia sempre a mesma fita. De um lado havia "Dois", disco do grupo Legião Urbana, e, do outro, uma compilação de Beto Guedes.
Esse convite não é uma coincidência, é uma das premonições que tive quando era muito criança. Ficava achando que meus sonhos se realizariam e consegui. Eu sonhava encontrar o Beto mais do que cantar com ele, sonhava em vê-lo e conhecê-lo, falar simplesmente oi.
A princípio eu ia cantar "Lumiar", mas fizeram a loucura de me mandar uma fita com mais quatro músicas e depois que ouvi, resolvi por "Pedras Rolando". Fiquei com o corpo inteiro arrepiado.
E o mais curioso é que eu não conhecia esta canção. Até porque conversando com Beto, cheguei à conclusão de que tinha que ser agora mesmo. Talvez em outra época, esta canção não tivesse a mesma importância que teve agora, eu não tivesse sacado o que ela está querendo dizer hoje. Nada é por acaso.
Vida lonqa para o mestre Beto Guedes. A gente continua aprendendo com ele. Maravilhoso estar com a tranqüilidade, a amizade dele. Produção nota dez, só tem felicidade aí gravada."
Toni Garrido, do grupo Cidade Negra
"Estou com uma felicidade enorme por várias razões. Beto é um dos artistas da minha geração que mais me emociona. Beto tem um trabalho que sempre me comoveu, tem uma emoção na voz incrível. Desde que fui convidado a participar deste projeto, fiquei encantado. Sempre quis me aproximar dele de alguma maneira.
Beto é um músico que adoro, admiro, um melodista, um cantor extraordinário, importantíssimo para a música do Brasil.
É com imenso prazer que estou aqui. Espero que Deus nos dê muita saúde e felicidade para que venham outros projetos, novas parcerias.
O Brasil viveu uma época ouvindo Beto Guedes e agora está mais do que predisposto a ouvir novamente. Ouvir você cantando, Beto, faz falta."
Djavan
"Que camarada mais inspirado, meu Deus!" é uma exclamação que ouço sempre quando alguém está do meu lado ouvindo as canções do Beto Guedes. O Beto tem este dom magnífico que é o de inventar um som; o de inventar um acorde, uma frase melódica, uma melodia. Não posso imaginar como é que uma coisa como esta pode acontecer a uma pessoa: pensar numa frase e ela sair como o ruído de uma brisa, de um vento nas montanhas, de uma onda do mar quebrando na areia, de um canto de pássaro; não posso imaginar como alguém pode pensar uma canção... Beto Guedes é um grande pensador de canções.
E tem mais o rapaz: aquela qualidade que transforma um músico inspirado num compositor: ele tem estilo!
Reconhece-se uma canção de Beto Guedes ao fim do seu primeiro verso melódico. Assim como quem reconhece, por exemplo, o Cole Porter, o Dorival Caymmi, o Henry Mancine ou - last but not least - o Martinho da Vila.
Quando imagino estilo, as coisas que me vêm à cabeça são de uma concretude clara: penso no uso de determinadas cores numa pintura; na leveza de um traço num desenho; na força de uma linha saída do bico da velha pena de aço... Acho fantástico isto de se ter estilo em música. O que me fez ouvir o Beto com o maior encantamento.
Beto é meu conterrâneo - Ahhhááá!!! explica-se! - e devo mencionar aqui outra de suas qualidades (uma que Mário de Andrade elogiava no geral): sua universalidade.
As canções do Beto, que comovem a todos indistintamente, são universais justamente porque são particulares. Ele canta e encanta os mineiros (que entendem cada uma de suas notas e cada uma de suas palavras: "Isto é comigo!") como encanta os cariocas e os paulistas, os brasileiros e os residentes, todos que ouvem seus discos, seja aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar para onde levo alguns deles, quando viajo pelo mundo. Tudo o que estou dizendo poderá ser confirmado quando você ouvir as canções do seu novo CD, "Dias de Paz" (o que lhe acenta como título) e começar a sentir um Beto mais maduro e mais inspirado ainda. E, o que é muito importante, em belíssima companhia: os arranjos e a produção do Jaquinho Morelenbaum. Mas esta é uma outra história...
Ziraldo
"Beto Guedes é um dinossauro da Música Popular Brasileira. Apesar de ser poucos anos mais velho do que eu, quando eu apenas começava, garoto ainda, navegando os mares de nossa música a bordo d'A Barca do Sol, Beto Guedes e seus companheiros de Clube da Esquina já eram referência, fonte de inspiração e estímulo à nossa vontade de criar.
Suas melodias repletas do romantismo mineiro, seu requinte harmônico e seu descompromisso formal, sua voz única e misteriosa, unindo uma sensação de fragilidade a uma profunda expressão, eram e continuaram a ser até hoje, norte para nossas aspirações de fazer uma música que pudesse ser universal e brasileira, e que fosse capaz de enriquecer o espírito das pessoas, ampliar os horizontes de um povo tão belo como é o brasileiro. Minhas identificações com Beto Guedes sempre foram enormes.
Minha primeira aproximação com a música popular foi através da desenfreada paixão pelos Beatles, claramente compartilhada por Beto. Assim foi repleto de alegria que recebi o convite de Ronaldo Vianna, diretor artístico da Epic-Sony para produzir este novo disco de Beto Guedes. Foi maravilhoso trabalhar a nova safra de Beto, e, especialmente, poder recriar e regravar seus eternos sucessos, como por exemplo "Sol de Primavera", "Amor de lndio", "Lumiar", "Belo Horror", que com nova letra virou "Asas". Foi um baluarte em minha adolescência musical e é um dos exemplos neste disco de se poder resgatar uma obra-prima, registrada com uma série de limitações técnicas em sua gravação original. É quase uma ópera-rock-progressivo, gravada por Beto com o 14Bis em quatro pistas, e que agora toma roupagem sinfônica, gravada em 48 pistas, com a participação de mais de 80 músicos, incluindo dois arranjadores, três bateristas, dois baixistas e três guitarristas, utilizando-se toda a mais moderna tecnologia que se possa contar atualmente.
Foi altamente gratificante redescobrir "Pedras rolando", minha canção favorita neste disco, com sua pujança e sua letra que, embora tão representativa de uma época específica, os anos 70, permanece atualíssima. Tomou parte deste disco um primeiro time do nosso cenário atual, com participações de Milton Nascimento, Djavan e Toni Garrido, entre outros. Arranjadores entre os que mais admiro, como Cristóvão Bastos, Lincoln Oliveti, Eduardo Souto, Wagner Tiso e a revelação do enorme talento de Marcelo Martins, músicos do mais alto nível como o pianista Paulo Calasans, guitarristas Luiz Brasil e Celso Fonseca, baixistas Artur Maia, Fernando Nunes e a revelação de Alberto Continentino, bateristas Marcelo Costa, Robertinho Silva, Jorge Gomes e Cesinha, entre tantos outros instrumentistas que abrilhantaram esta produção.
Tive a oportunidade de assinar, além da produção, alguns dos arranjos orquestrais neste disco, e assim dar vasão mais efetivamente à grande paixão que me desperta a música deste importante criador que é Beto Guedes.
Jaques Morelenbaum |