| Clube da Esquina
Clube da Esquina.
Um simples meio-fio da esquina das
ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, em BH, onde
meninos se encontravam, sonhadores, para tocar e cantar, mitificado na
música de Milton, Lô e Márcio Borges - Noite chegou outra vez/ de novo na
esquina os homens estão/ todos se acham mortais/ dividem a noite, a lua,
até solidão... -, tornada hino de toda uma geração. Milton, impressionado
com o amadurecimento musical daquela geração, muito próxima da sua, que
tinha visto crescer, encantado com as composições de Lô, muitas delas
em parceria com Beto, decidiu fazer do seu próximo disco, pela
gravadora Emi-Odeon, mais do que um registro do Clube, um encontro que
o eternizasse. Sob o signo da generosidade, nasceu Clube da Esquina,
antológico álbum duplo, um marco para estas carreiras em gestação.
Milton Nascimento(Bituca), Márcio Borges, Fernando Brant foram o núcleo inicial do movimento musical que
transformaria o panorama da MPB naquele início dos anos 60, paralelamente
à Tropicália, juntando às influências da Bossa Nova, as novas
sonoridades trazidas pelo rock britânico dos Beatles e os ecos barrocos
da mineiridade e da tradição das igrejas.
Para Santa Teresa, a família Borges voltou em meados daquela década,
levando consigo amigos e parceiros. Lô, que era ainda menino no
edifício Levy, cresceu e encontrou-se fraterna e sonoramente com
Milton. Veio seu amigo de infância Beto Guedes. Veio a música "Clube
da Esquina", homenagem ao cruzamento das ruas Divinópolis e
Paraisópolis - lugar onde as janelas se abriam ao negro do mundo lunar
e ao som dos violões dissonantes da rapaziada.
Vieram o álbum duplo de mesmo nome, reunindo toda a turma: Milton, Lô, Beto, Wagner Tiso, Toninho Horta, Tavinho Moura, Ronaldo Bastos...
O Clube da Esquina expandiu suas fronteiras, alcançou sucesso nacional e internacional, com as carreiras de
Milton Nascimento e Toninho Horta, em especial.
A inspiração das esquinas de Santa Teresa permaneceu e fez fama. Em seu livro "Os sonhos não
envelhecem", Márcio Borges conta a história do movimento musical e das
principais personagens ligadas a ele e lembra quanta gente - a gaúcha Elis
Regina, o carioca Gonzaguinha, o norte-americano Wayne Shorter, o
multinacional Naná Vasconcellos - chegava em BH e ia direto para o bairro,
atrás da esquina que inspirava tantas criações maravilhosas.
Não podiam compreender que, para além da singeleza do bairro, havia o predestinado
encontro de talentos de uma geração que veio para deixar a sua marca. Fonte: Jornal ESTADO DE MINAS |